quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Pobreza de cara lavada

Lá diz o ditado:
Querer dar um passo maior que a perna.

Na verdade, este provérbio nunca se aplicou tão bem. No governo do Sr. “Eng.º”(!?) Sócrates a política da obra feita é elevada ao seu expoente máximo em prejuízo do pobre contribuinte a quem é pedido que aperte só mais um furo.
Na realidade, nunca tiveram tanto trabalho os pobres sapateiros com tanto buraco nos cintos públicos.
Aeroportos e comboios de alta velocidade num país em que nem espaço terão para acelerar e demonstrar o propósito da sua existência.
Continua a política herdada de governos anteriores com promessas de investimentos com elevados índices de retorno. Expo 98 e estádios novos são, indubitavelmente, o exemplo cabal da personalidade portuguesa. Na verdade, o povo vive da aparência e afunda-se em créditos e empréstimos milionários só para impressionar o vizinho (que também já o fez).
Acordem meus senhores, vamos colocar um ponto final nesta vida de fachada e começar a trabalhar a sério para uma nação próspera e justa. Assim, certamente, morrerão menos crianças à porta de urgências jurássicas e abandonadas com silvado à entrada…
Vamos descer à nossa humilde condição e demonstrar ao mundo a massa de que somos feitos.
Quanto mais nos mexermos nestas areias movediças mais nos enterraremos.

Fidalguia sem dinheiro é gaita que não assobia

Felinos - 1; Portugueses - 0

A propósito da polémica do Carnaval no concelho de Vouzela onde os campónios malvados andavam a fazer mal aos gatinhos há uma ou duas coisas a dizer.
Qualquer mau trato infligido a criaturas normalmente indefesas apenas porque se tem poder para o fazer é absolutamente reprovável. Essas atitudes não passam de arrogância da espécie, porque nós próprios somos animais, e revelam muito pouca racionalidade. Agora, por favor, não sejamos ridículos. Quantos de vós nunca tinham ouvido falar de Vouzela... É uma vila do Distrito de Viseu com cerca de mil e quinhentos habitantes, perto de S. Pedro do Sul, que carece da atenção do nosso Estado (que pretende apenas abrir auto-estradas para grandes empresários e ascender na carreira política à moda do Durão Barroso, destemido cherne), tal como todo o Interior português. No município é uma sorte se metade dos habitantes estiver no período fértil ou souber ler e escrever. São pessoas com pouca instrução e com pouca mundividência que se levantam antes do sol nascer para trabalhar no campo e voltam para casa quando o sol já se pôs porque não há alternativas... Ninguém investe nessas terras, não há emprego e a população jovem foge para o Litoral, deixando-as envelhecer. Essas terras que, no final de contas, são as que vão conservando o pouco que resta da tradição genuinamente portuguesa. Ou julgam que o Portugal Profundo é o pseudo-sofisticado do litoral?
Iam aleijar um gatinho, Aqui del-Rei que há uma terra chamada Vouzela lá no recto do País onde há maus-tratos... Vouzela arranjou um bichano de pelúcia, já ninguém quer saber de Vouzela outra vez... Iliteracia, envelhecimento, mediocridade... isso não interessa a ninguém.
E já agora... pelo amor de Deus... Há 2.000.000 (dois milhões) de pessoas a viver no limiar ou abaixo do limiar da pobreza e ninguém se manifesta. O governo embarca num capitalismo selvagem e ninguém se manifesta. O governo põe em causa a soberania portuguesa e ninguém faz nada. A nacionalidade portuguesa está à beira da ruptura e ninguém se mexe. Ameaçam a vida de um gatinho e aí sim, já temos polémica?! Os do Interior são os campónios, mas podem crer que os saloios somos nós...


Haja bom senso porque não há maior pobreza do que a pobreza de espírito...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Princípio


Foto tirada de: www.8thfire.net/Day_48.html


Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.


Sophia de Mello Breyner