Para o dia 25 de Abril não houve qualquer cartaz a promover a comemoração, tal como não há nem haverá para o 40º aniversário do Maio de 68, para o 1º de Maio ou para o 10 de Junho, Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Contudo, ainda o Dia da Liberdade não tinha sido celebrado, havia já destes cartazes azuis estrelados espalhados pela cidade do Porto, reflexo bem claro da ideia que importa veicular ou mesmo vender. Já não se pensam nem celebram as causas e cousas nacionais, tudo em prol da ilusão de um federalismo com tiques de sofisticação e atitude de Confederação Helvética, também essa unida na diversidade.
Talvez a ideia pegue. Quanto mais não seja por a população nem sequer ser consultada… A questão é porquê, até quando e a que preço.
É importante referir que não somos conservadores de mentalidade fechada, antes pelo contrário. É óbvio que defendemos algum "proteccionismo", mas isso parece ser até uma questão de bom senso. Mesmo num universo franca e até levianamente economicista como o nosso há coisas que não podem ser negociáveis e, algumas delas, deveriam ser a soberania, a democracia e a dignidade das pessoas…
Uma Comunidade Europeia é útil para que se aproximem os povos que a constituem e se criem boas relações económicas, diplomáticas e, obviamente, culturais também. Além do mais, um país não se quer isolado, muito menos quando se trata de territórios de pequenas dimensões, como o nosso jardim à beira-mar plantado. Mas federalismo, que o Tratado de Lisboa já prevê a médio-longo prazo, mas sobre o qual não nos deixam decidir, implica já questões demasiado melindrosas… Além disso, sabe-se que o Poder e a Democracia são conceitos muito relativos e, nesta matéria, Portugal remete-nos para história de David e Golias, mas sem a lição bíblica. Sem federalismo efectivo, a União já faz imposições que os nossos governos muito leais, ultra diligentes e altamente obedientes cumprem cegamente, nem que isso implique remeter o português comum (80% da nossa sociedade?) para o limiar da dignidade; imagine-se como será posteriormente, depois dos primeiros cinco ou dez anos de estado de graça… Neste momento, temos 2 milhões de pobres no País, em parte devido ao que a União espera de nós, no que diz respeito aos objectivos económicos. Como será depois? Já assim é difícil fazermo-nos ouvir, quanto mais num cenário em que há um governo central, desprendido de questões patrióticas, que quer dinamizar a economia a qualquer custo… Que não restem dúvidas de que Portugal permanecerá periférico e, mais grave do que isso, será sempre e cada vez mais dos estados-membros mais dependentes e, consequentemente, mais submissos.
Para já, fica apenas esta reflexão.


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