A Sua Excelência,
O Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva
Na condição de “jovem” deste país não quero, de forma alguma, que continue imerso na sua indignação.
Provavelmente os meus interesses na actividade política do país, bem como os conhecimentos que tenho acerca desta, irão um pouco mais além da média nacional, tendo em conta a faixa etária. Contudo, não obstante as respostas doutas, transmitidas pela comunicação social no dia 25 de Abril, no que concerne ao Estado actual, bem como à História recente do nosso país posso, em nome dos jovens alheados e ignorantes do nosso cantinho, elucidar qual a origem do estado letárgico dos nossos efebos.
Apesar das taxas de insucesso, absentismo e analfabetismo nacional, o povo Português desenvolveu, ao longo do tempo, a capacidade interessante de se alhear e voltar costas aos assuntos que menos lhe interessa. Habituada a ser ignorada, mal tratada e até enxovalhada com epítetos como “geração rasca”, a “malta” na flor da idade vê aquela geração que supostamente deveria servir como modelo a seguir deturpar o que, na teoria, deveriam ser os verdadeiros valores da democracia, supostamente instaurada muito antes de alguns (como eu) sequer terem nascido.
Não se indigne Sr. Presidente, a nossa juventude não se encontra desligada nem alheada da vida política... Apenas tiveram a percepção de que, infelizmente, esta não ouve a sua voz.
Será que num governo que se atreve a ratificar tratados europeus sem os referendar, que constrói estádios, pontes, TGV`s com o erário público sem a anuência destes, um governo que impõe avaliações, fecha hospitais, maternidades e urgências sem consultar os seus eleitores, um governo que repreende, persegue professores nas escolas numa verdadeira ditadura dissimulada consegue interessar os jovens para a sua actividade política? Não me parece também.
Sr. Presidente, os jovens não estão alheados… Não. Estão apenas ocupados a tentar quebrar as leis matemáticas e esticar os seus míseros ordenados da “geração 500” para pagar um cubículo com duas assoalhadas e ainda assim tentar fazer com que sobre algum para comer. Talvez um dia Sr. Presidente, se estes jovens tiverem a possibilidade de seguir o exemplo dos seus políticos e conseguirem um trabalhito no hemiciclo (quanto mais não seja para depois auferir uma reforma jeitosa e remediada e quem sabe até, um posto numa qualquer empresa choruda para terminar a sua velhice) talvez a “malta” mais nova deixe de colocar rosas, perdão… cravos, no cano das suas espingardas e comece a lutar verdadeiramente por uma real democracia exclamando efusivamente…. “Porreiro pá!”
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Resposta à indignação do Sr. Presidente da República
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