sexta-feira, 16 de maio de 2008

Mensagem enviada ao PM, governo e alguns ministérios

Uma Comunidade Europeia é útil para que se aproximem os povos que a constituem e se criem boas relações económicas, diplomáticas e, obviamente, culturais também. Além do mais, um país não se quer isolado, muito menos quando se trata de territórios de pequenas dimensões, como o nosso jardim à beira-mar plantado. Mas federalismo, que o Tratado de Lisboa já prevê a médio-longo prazo, mas sobre o qual não nos deixam decidir, implica já questões demasiado melindrosas… mais cotas de produção, perda de soberania, políticas salariais e contratuais ainda mais precárias, perda de importância no seio da união europeia (eleição de presidente, por exemplo, que põe fim às presidências rotativas), o grande trunfo da maior ZEE da Europa dado de bandeja... Além disso, sabe-se que o Poder e a Democracia são conceitos muito relativos e, nesta matéria, Portugal remete-nos para história de David e Golias, mas sem a lição bíblica. Sem federalismo efectivo, a União já faz imposições que os nossos governos muito leais, ultra diligentes e altamente obedientes cumprem cegamente, nem que isso implique remeter o português comum (95% da nossa sociedade?) para o limiar da dignidade; imagine-se como será posteriormente, depois dos primeiros cinco ou dez anos de estado de graça… Neste momento, temos 2 milhões de pobres no País (que escândalo), em parte devido ao que a União espera de nós, no que diz respeito aos objectivos económicos. Como será depois? Já assim é difícil fazermo-nos ouvir, quanto mais num cenário em que há um governo central, desprendido de questões patrióticas, que só pensa em poder e dinheiro e quer dinamizar a economia a qualquer custo… Que não restem dúvidas de que Portugal permanecerá periférico e, mais grave do que isso, será sempre e cada vez mais dos estados-membros mais dependentes e, consequentemente, mais submissos. Ao menos que haja alguma sensatez e consciência e que se deixe o "povinho" decidir se quer Tratado de Lisboa ou não, até porque o País também pertence aos "restantes" 10.499.950 que não fazem parte do governo.Gostava de ver, pela primeira vez em 30 anos, as ditas lealdade, diligência e obediência da parte do Governo para com os Portugueses. Mas contínua e honestamente, não apenas pela proximidade de umas eleições. Mas talvez isso seja ainda mais utópico do que qualquer ideologia política.

Melhores cumprimentos.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A Bandeira Nacional e o "Football"





A poucos dias da grande competição este texto pode parecer provocação, contudo não é. Julgo que é a melhor altura para o mostrar, na medida em que é dos poucos momentos da vida do cidadão comum em que este dá o devido valor e uso àquele símbolo que desde 1911 representa este pequeno rectângulo junto ao Atlântico, mais as suas ilhas.
Na realidade, com o passar do tempo, a Bandeira Nacional juntamente com o Hino (A Portuguesa) tem estado presente nas mais variadas formas de expressão de emoção, orgulho nacional e afecto por aqueles que em todas as competições mundiais, europeias e nacionais nos regalam com os desempenhos desportivos. Falo, claro está, nas competições Europeias como seja a Liga dos Campeões ou no Campeonato Nacional onde, no início de cada sessão (excepto neste último) somos presenteados pelos nossos representantes com um “karaoke” debilmente articulado, onde exalam em plenos pulmões o expoente máximo do seu patriotismo.
Entristece-me ver o símbolo nacional pousado nas caixas registadoras das grandes superfícies à venda pela troca de uma moeda simbólica só porque se aproxima mais uma competição futebolística importante. Bem que tentei comprar uma num supermercado próximo na última comemoração nacional, mas não estava disponível. Entristece-me ver que se banalizou o seu significado e que se atribuiu o seu uso única e exclusivamente ao ópio do povo. É deprimente vê-la pendurada nos pára-choques dos automóveis ou tatuada numa barriguinha qualquer como se de um ícone pop-star se tratasse.
Mais interessante é saber que, muito provavelmente, a maioria dos orgulhosos do nosso país não faz ideia do significado das suas cores, o que esta representa nem a sua origem.
Portugal tem 1000 anos de história e é um crime que os seus símbolos sejam arrastados pela lama de um mero desporto que não dá nada a ninguém. Contudo, é o reflexo da mentalidade que temos. Que é feito do verdadeiro orgulho nacional? Que é feito dos homens que ergueram esta República? Onde estavam as bandeiras nas comemorações do 25de Abril passado? Pobres egrégios avós...
Desejava que cada um fossa à sua gaveta e retirasse a sua bandeira não só para expressar o seu afecto mais fervoroso para com a sua selecção, mas também para se lembrarem que somos mais que football. Vamos empurrar o país e não o autocarro. Nesta nação que se esconde da sua condição atrás de artifícios e jogatinas ainda não percebeu, que ao fim de 90 minutos, todos regressamos à nossa cada (vez mais) miserável condição social. É urgente sair desta liga dos últimos e levantar de novo o esplendor do povo português.

Até 10 de Junho...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Resposta à indignação do Sr. Presidente da República




A Sua Excelência,
O Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva


Na condição de “jovem” deste país não quero, de forma alguma, que continue imerso na sua indignação.
Provavelmente os meus interesses na actividade política do país, bem como os conhecimentos que tenho acerca desta, irão um pouco mais além da média nacional, tendo em conta a faixa etária. Contudo, não obstante as respostas doutas, transmitidas pela comunicação social no dia 25 de Abril, no que concerne ao Estado actual, bem como à História recente do nosso país posso, em nome dos jovens alheados e ignorantes do nosso cantinho, elucidar qual a origem do estado letárgico dos nossos efebos.
Apesar das taxas de insucesso, absentismo e analfabetismo nacional, o povo Português desenvolveu, ao longo do tempo, a capacidade interessante de se alhear e voltar costas aos assuntos que menos lhe interessa. Habituada a ser ignorada, mal tratada e até enxovalhada com epítetos como “geração rasca”, a “malta” na flor da idade vê aquela geração que supostamente deveria servir como modelo a seguir deturpar o que, na teoria, deveriam ser os verdadeiros valores da democracia, supostamente instaurada muito antes de alguns (como eu) sequer terem nascido.
Não se indigne Sr. Presidente, a nossa juventude não se encontra desligada nem alheada da vida política... Apenas tiveram a percepção de que, infelizmente, esta não ouve a sua voz.
Será que num governo que se atreve a ratificar tratados europeus sem os referendar, que constrói estádios, pontes, TGV`s com o erário público sem a anuência destes, um governo que impõe avaliações, fecha hospitais, maternidades e urgências sem consultar os seus eleitores, um governo que repreende, persegue professores nas escolas numa verdadeira ditadura dissimulada consegue interessar os jovens para a sua actividade política? Não me parece também.
Sr. Presidente, os jovens não estão alheados… Não. Estão apenas ocupados a tentar quebrar as leis matemáticas e esticar os seus míseros ordenados da “geração 500” para pagar um cubículo com duas assoalhadas e ainda assim tentar fazer com que sobre algum para comer. Talvez um dia Sr. Presidente, se estes jovens tiverem a possibilidade de seguir o exemplo dos seus políticos e conseguirem um trabalhito no hemiciclo (quanto mais não seja para depois auferir uma reforma jeitosa e remediada e quem sabe até, um posto numa qualquer empresa choruda para terminar a sua velhice) talvez a “malta” mais nova deixe de colocar rosas, perdão… cravos, no cano das suas espingardas e comece a lutar verdadeiramente por uma real democracia exclamando efusivamente…. “Porreiro pá!”