Uma Comunidade Europeia é útil para que se aproximem os povos que a constituem e se criem boas relações económicas, diplomáticas e, obviamente, culturais também. Além do mais, um país não se quer isolado, muito menos quando se trata de territórios de pequenas dimensões, como o nosso jardim à beira-mar plantado. Mas federalismo, que o Tratado de Lisboa já prevê a médio-longo prazo, mas sobre o qual não nos deixam decidir, implica já questões demasiado melindrosas… mais cotas de produção, perda de soberania, políticas salariais e contratuais ainda mais precárias, perda de importância no seio da união europeia (eleição de presidente, por exemplo, que põe fim às presidências rotativas), o grande trunfo da maior ZEE da Europa dado de bandeja... Além disso, sabe-se que o Poder e a Democracia são conceitos muito relativos e, nesta matéria, Portugal remete-nos para história de David e Golias, mas sem a lição bíblica. Sem federalismo efectivo, a União já faz imposições que os nossos governos muito leais, ultra diligentes e altamente obedientes cumprem cegamente, nem que isso implique remeter o português comum (95% da nossa sociedade?) para o limiar da dignidade; imagine-se como será posteriormente, depois dos primeiros cinco ou dez anos de estado de graça… Neste momento, temos 2 milhões de pobres no País (que escândalo), em parte devido ao que a União espera de nós, no que diz respeito aos objectivos económicos. Como será depois? Já assim é difícil fazermo-nos ouvir, quanto mais num cenário em que há um governo central, desprendido de questões patrióticas, que só pensa em poder e dinheiro e quer dinamizar a economia a qualquer custo… Que não restem dúvidas de que Portugal permanecerá periférico e, mais grave do que isso, será sempre e cada vez mais dos estados-membros mais dependentes e, consequentemente, mais submissos. Ao menos que haja alguma sensatez e consciência e que se deixe o "povinho" decidir se quer Tratado de Lisboa ou não, até porque o País também pertence aos "restantes" 10.499.950 que não fazem parte do governo.Gostava de ver, pela primeira vez em 30 anos, as ditas lealdade, diligência e obediência da parte do Governo para com os Portugueses. Mas contínua e honestamente, não apenas pela proximidade de umas eleições. Mas talvez isso seja ainda mais utópico do que qualquer ideologia política.
Melhores cumprimentos.

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