A poucos dias da grande competição este texto pode parecer provocação, contudo não é. Julgo que é a melhor altura para o mostrar, na medida em que é dos poucos momentos da vida do cidadão comum em que este dá o devido valor e uso àquele símbolo que desde 1911 representa este pequeno rectângulo junto ao Atlântico, mais as suas ilhas.
Na realidade, com o passar do tempo, a Bandeira Nacional juntamente com o Hino (A Portuguesa) tem estado presente nas mais variadas formas de expressão de emoção, orgulho nacional e afecto por aqueles que em todas as competições mundiais, europeias e nacionais nos regalam com os desempenhos desportivos. Falo, claro está, nas competições Europeias como seja a Liga dos Campeões ou no Campeonato Nacional onde, no início de cada sessão (excepto neste último) somos presenteados pelos nossos representantes com um “karaoke” debilmente articulado, onde exalam em plenos pulmões o expoente máximo do seu patriotismo.
Entristece-me ver o símbolo nacional pousado nas caixas registadoras das grandes superfícies à venda pela troca de uma moeda simbólica só porque se aproxima mais uma competição futebolística importante. Bem que tentei comprar uma num supermercado próximo na última comemoração nacional, mas não estava disponível. Entristece-me ver que se banalizou o seu significado e que se atribuiu o seu uso única e exclusivamente ao ópio do povo. É deprimente vê-la pendurada nos pára-choques dos automóveis ou tatuada numa barriguinha qualquer como se de um ícone pop-star se tratasse.
Mais interessante é saber que, muito provavelmente, a maioria dos orgulhosos do nosso país não faz ideia do significado das suas cores, o que esta representa nem a sua origem.
Portugal tem 1000 anos de história e é um crime que os seus símbolos sejam arrastados pela lama de um mero desporto que não dá nada a ninguém. Contudo, é o reflexo da mentalidade que temos. Que é feito do verdadeiro orgulho nacional? Que é feito dos homens que ergueram esta República? Onde estavam as bandeiras nas comemorações do 25de Abril passado? Pobres egrégios avós...
Desejava que cada um fossa à sua gaveta e retirasse a sua bandeira não só para expressar o seu afecto mais fervoroso para com a sua selecção, mas também para se lembrarem que somos mais que football. Vamos empurrar o país e não o autocarro. Nesta nação que se esconde da sua condição atrás de artifícios e jogatinas ainda não percebeu, que ao fim de 90 minutos, todos regressamos à nossa cada (vez mais) miserável condição social. É urgente sair desta liga dos últimos e levantar de novo o esplendor do povo português.
Até 10 de Junho...
terça-feira, 13 de maio de 2008
A Bandeira Nacional e o "Football"
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2 comentários:
Apesar de concordar com algumas coisas que dizes, só gostava de fazer um pequeno reparo...
Como muito bem disseste, temos 1000 anos de história. Será que um símbolo escolhido à menos de 100 anos terá assim tanta importância? Afinal tanto a bandeira como o hino são recentes comparados com o país... Definem-nos como portugueses? Sevemos estar orgulhosos destes? Então não havia portugueses antes de 1911?
Só isto...
Caro amigo leitor, muito obrigado pela atenção e pelo comentário.
Apesar da nossa referência aos símbolos do país ser um pouco mais contundente, ela tem um propósito; não é gratuita ou meramente clubística. A idolatria de símbolos e de ideias virtuais morreu em 74 para o bem de todos nós. Aquilo para que pretendemos chamar a atenção é a ausência de sentido de comunidade que só reaparece a cada 2 anos quando há um campeonato de futebol (do que também gostamos), tornando-se banal, previsível e vazio. Não pretendemos apelar ao saudosismo ou à idolatria da Pátria, Pátria, Pátria, ideia imperialista reaccionária grave, à sombra da qual se semeou muita miséria, mas antes a esse sentimento de comunidade, de lealdade no sentido cultural (temos um legado riquíssimo e uma identidade única no contexto europeu), social (sobretudo agora que ninguém faz nada pelas pessoas a não ser que isso contribua para a promoção e inflação do Poder de alguém) e até político (nada se compara a sermos donos do nosso destino, da nossa terra, especialmente quando se perspectiva um governo estrangeiro castrador que, ainda por cima, só vê dinheiro à frente), convenientemente desvalorizado, rotulado e estigmatizado pelos hipócritas, oportunistas e agora também federalistas governos neo-liberais e outros que tais. Muito do nosso mal se deve a esta ausência de auto-estima e de consciência e responsabilidade sociais. As repercussões são incalculáveis. Olhemos à volta e tentemos avaliar a nossa já crónica apatia e permissividade...
De resto, um símbolo é um símbolo e só importa pelo que representa (na nossa opinião, dentro deste trâmites). Não representa apenas uma selecção de futebol, o nosso único motivo de orgulho, presentemente. Além disso, a bandeira nacional tem 100 anos, mas implica os 800 que os antecederam.
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