terça-feira, 10 de junho de 2008

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Olá a todos, uma vez mais.
Hoje, por ser o dia que é, resolvemos contribuir para o limar de algumas arestas; na nossa perspectiva, para a reposição de uma ou duas verdades.

Comecemos pelo significado da Bandeira Nacional, adoptada oficialmente em 1911.
Aprendemos na escola que o Verde simbolizava os campos, o Vermelho o sangue derramado pelos heróis da Reconquista, a Esfera Armilar os Descobrimentos portugueses, os Sete Castelos os sete castelos conquistados aos sarracenos e as Quinas aludiam à Lenda da Batalha de Ourique, segundo a qual, antes do confronto, D. Afonso Henriques terá tido uma visão de Jesus Cristo. No entanto, esta foi uma interpretação veiculada pelo Estado Novo, simpatizante da monarquia, como se sabe.
Apesar de as referências às Armas da Bandeira Nacional estarem correctas, as cores principais adquiriram um sentido adulterado, servindo este post para fazer justiça ao significado original, do início da República. Assim sendo, o Verde representa a esperança e está ligado ao movimento republicano que antecedeu o golpe de estado e o Vermelho, cor combativa, simboliza a conquista, a alegria e a vitória.
Estas são as duas interpretações possíveis e cada um encarregar-se-á de escolher a sua preferida. Talvez devêssemos, contudo, exorcizar os símbolos nacionais das referências da ditadura e optar por uma leitura mais fiel e, inquestionavelmente, mais positiva.

Outra questão que gostávamos de ver exorcizada é a do patriotismo.
Sentimos que está mais do que na altura de nos desprendermos de preconceitos relativos a este assunto, sobretudo agora que as novas tendências políticas põem em causa as soberanias por motivos económicos, sem quaisquer escrúpulos.
Ser-se patriótico não implica ser-se fascista, racista, nem sequer nacionalista ou chauvinista - ideias que repudiamos veementemente por serem ignorantes e animalescas. São erros recorrentes e rótulos facilmente aplicáveis por quem tem interesse em que se perca esse sentimento. Contudo, pensamos que, por um lado, patriotismo é, mesmo num contexto de grande abertura a outras culturas, identidades, e proveniências, sinónimo de amor à terra, ao país, à cultura, à língua e ao povo de que se faz parte e essa concepção não consta no léxico de governo nenhum que passa pela Assembleia da República. Por outro lado, entendemos que esse conceito também se aplica ao empenho na felicidade e dignidade do povo a que se pertence e ao sentido de responsabilidade, competência e compromisso para com ele na sua globalidade, mas também na individualidade, por oposição à visão mais ou menos subliminar mas factual do povo como recursos humanos, massas, combustível de um sistema economicista, poluído por interesses burgueses. Se esta fosse a postura dos nossos governos capitalistas, iberistas e federalistas, certamente seríamos um país muito mais empenhado no Progresso, no desenvolvimento social e cultural e muito dificilmente teríamos tanta gente a viver na miséria.
Sim, fazemos um apelo ao patriotismo e ao seu exorcismo. Um apelo a que se salve este País do pântano em que se afunda dramaticamente a cada dia que passa.
Fica à consciência e ao sentido de responsabilidade de cada um.

Um abraço.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

No passado dia 25 de Abril, pelas ruas da Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto havia inúmeros cartazes azuis-estrelados a promover as celebrações do dia da Europa (dia 9 de Maio). Hoje, dia 9 de Junho de 2008, ainda não vimos quaisquer referências às celebrações do 10 de Junho (amanhã), Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas... Distracção ou estão zangados com a República...?

Censura XXI

A propósito da nossa fonte anterior, o jornal electrónico Portugal Diário da IOL que permite aos seus leitores opinar sobre as notícias, um de nós fez questão de comentar não só o artigo de Mário Soares e Mário Lino, mas outros mais, relativos à eleição de Manuela Ferreira Leite, por exemplo, e nenhum deles foi aprovado pelos exigentes editores da página, responsáveis por evitar a publicação de mensagens descontextualizadas ou que não sigam as normas da boa educação. Sem qualquer explicação, simplesmente não apareceram. Das duas uma: ou não apreciam textos que não se enquadrem em qualquer corrente literária, visto ser essa a única justificação plausível, ou então o pessoal d'O Inconformista começa a incomodar alguma gente... Mas como não somos precipitados, preferimos acreditar que se trata da primeira hipótese, até porque nem queremos sonhar, sequer, que algo tão precioso como a liberdade de expressão seja posto em causa nos dias de hoje...

P.S. - Por via das dúvidas, vamos procurar fontes mais fidedignas.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Disse-se por aí...

«Digam NÃO ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa!

Húmido sem 'H'??
Facto sem 'C'??
Afinal onde fica a etimologia das palavras? A língua tão bem tratada por Camões nasceu em Portugal ou no Brasil? Pois eu continuarei, [...]a escrever Humidade, Húmido, faCto, aCto, aCção! [...]
Ninguém tem que alterar a sua forma de escrever para que todos nos entendamos. Nem os portugueses, nem os guineenses, nem os brasileiros! Cada um dos nossos povos lusófonos, tem evoluído e irá continuar a evoluir com as suas especificidades e influências e é na diversidade que nos identificamos como povos. Nenhum acordo me pode obrigar a escrever como os brasileiros nem vice-versa.
Um **FACTO** para mim não é um **FATO**!
Um **FATO** para mim não é um **TERNO**!
Um **ACTO** não serve para Atar: eu **ATO** cordéis!
[...]
Um **CÁGADO** não é um **CAGADO**!

Esta imbecilidade só é possível num país tão fraco, com políticos tão tolos e com um povo que tem exactamente o que merece devido ao seu desinteresse por tudo. Deixarem que o nosso maior património seja adulterado por interesses puramente económicos?!

Acham que os ingleses mudariam a sua escrita porque os americanos são [em maior número]? E os espanhóis com a América do Sul? E a França mudaria a sua ortografia por imposição do Canadá?
Será que continuaremos a comemorar o 5 de Outubro ou o 5 de outubro?
[...]
Já agora e como nota de rodapé, fiquem a saber que vamos alterar 3 vezes mais palavras do Português para o Brasileiro do que o contrário! A escrita portuguesa vai ser completamente abrasileirada. Não posso concordar, apesar de [...] desejar que não vejam nesta posição nenhuma forma de descriminação.
Eu, podem ter a certeza, que, apesar de quererem acabar com o hífen, com as consoantes mudas ou com os acentos e porque tenho orgulho em ser português, [...] continuarei a respeitar a gramática portuguesa como ela é hoje!»

Autor anónimo

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Coffee Break

Pedimos desculpa pela abordagem algo hardcore que se segue, mas a culpa não é nossa, se por vezes nos excedemos...

O Dr. Mário Soares, um dos muitos inequívocos e inesquecíveis heróis de Abril, ex-Primeiro-Ministro e ex-Presidente da República teve uma epifania ao fim de três anos de mandato do presente executivo, tendo surpreendido, inclusivamente, os mais descrentes na consciência social actual dos passarocos que sobrevoam o Poder em Portugal.


Mário Soares e a sua crise de consciência...
Fonte: http://www.portugaldiario.pt/

«Em Portugal, permito-me sugerir ao PS – e aos seus responsáveis – que têm de fazer uma reflexão profunda sobre as questões que hoje nos afligem mais: a pobreza; as desigualdades sociais; o descontentamento das classes médias; e as questões prioritárias, com elas relacionadas, como: a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho. Essas são questões verdadeiramente prioritárias, sobre as quais importa actuar com políticas eficazes, urgentes e bem compreensíveis para as populações».
«...Ainda durante este ano crítico de 2008 (...)»
«Urge, igualmente, fortalecer o Estado, para os tempos que aí vêm, e não entregar a riqueza aos privados. Não serão, seguramente, eles que irão lutar, seriamente, contra a pobreza e reduzir drasticamente as desigualdades».


Agora, a resposta clássica à PS... e à Mário Lino, esse monumento à Portugalidade...
Fonte: http://www.portugaldiario.pt/

«O PS e o Governo não estão a dormir, à espera que Mário Soares faça um aviso. Aliás, o Dr. Mário Soares esteve sempre muito atento a estes problemas, por isso concordo que o Partido Socialista tem de estar preocupado com estas situações. É isso que está a acontecer».

Vê-se, aliás, muito claramente o trabalho exaustivo que o governo tem feito para o bem das famílias, dos trabalhadores e dos 2 Milhões de desfavorecidos a viver em Portugal. A começar pelo TGV que vai dar emprego digno e bem remunerado a muita gente, e a acabar nos 6.100.000.000€ disponibilizados para a construção de um aeroporto digno de uma República, com instalações de luxo para as senhoras darem à luz as suas criancinhas, com escolas para os meninos do Interior, faculdades públicas dignas e livres para as gerações futuras, com avionetas à disposição para transportar doentes para os hospitais e centros de saúde, com habitações confortáveis acessíveis a qualquer cidadão, com muitos e enormes campos de cultivo com sistemas de rega sofisticados e amplas zonas industriais para aumentar a produção nacional, vastas áreas destinadas ao comércio tradicional e ainda uma frota de pesca imponente para explorar a nossa ZEE que é a maior da Europa.

«A política social do Governo não deve ser feita a pensar nos votos, mas porque é importante para resolver o problema dos mais pobres. Somos um país com grandes desigualdades, que têm que ser combatidas, pelo que deve ser dada grande atenção às pessoas com maiores dificuldades».
«A pobreza é um problema prioritário que procuramos combater, mas também temos de perceber que existe uma crise internacional. De qualquer forma, temos de ter toda a atenção para as situações mais delicadas, sabendo que a sociedade é muito vasta e tem muitos problemas».

Pior e mais insultuoso do que se ser deliberadamente incompetente é sê-lo descarada e cinicamente porque já resvala o ordinário. Parece impossível como esta gente ainda pensa que consegue enganar alguém.
Mais uma vez, fica a ideia para quem quiser comprá-la.

Até breve.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Mensagem enviada ao PM, governo e alguns ministérios

Uma Comunidade Europeia é útil para que se aproximem os povos que a constituem e se criem boas relações económicas, diplomáticas e, obviamente, culturais também. Além do mais, um país não se quer isolado, muito menos quando se trata de territórios de pequenas dimensões, como o nosso jardim à beira-mar plantado. Mas federalismo, que o Tratado de Lisboa já prevê a médio-longo prazo, mas sobre o qual não nos deixam decidir, implica já questões demasiado melindrosas… mais cotas de produção, perda de soberania, políticas salariais e contratuais ainda mais precárias, perda de importância no seio da união europeia (eleição de presidente, por exemplo, que põe fim às presidências rotativas), o grande trunfo da maior ZEE da Europa dado de bandeja... Além disso, sabe-se que o Poder e a Democracia são conceitos muito relativos e, nesta matéria, Portugal remete-nos para história de David e Golias, mas sem a lição bíblica. Sem federalismo efectivo, a União já faz imposições que os nossos governos muito leais, ultra diligentes e altamente obedientes cumprem cegamente, nem que isso implique remeter o português comum (95% da nossa sociedade?) para o limiar da dignidade; imagine-se como será posteriormente, depois dos primeiros cinco ou dez anos de estado de graça… Neste momento, temos 2 milhões de pobres no País (que escândalo), em parte devido ao que a União espera de nós, no que diz respeito aos objectivos económicos. Como será depois? Já assim é difícil fazermo-nos ouvir, quanto mais num cenário em que há um governo central, desprendido de questões patrióticas, que só pensa em poder e dinheiro e quer dinamizar a economia a qualquer custo… Que não restem dúvidas de que Portugal permanecerá periférico e, mais grave do que isso, será sempre e cada vez mais dos estados-membros mais dependentes e, consequentemente, mais submissos. Ao menos que haja alguma sensatez e consciência e que se deixe o "povinho" decidir se quer Tratado de Lisboa ou não, até porque o País também pertence aos "restantes" 10.499.950 que não fazem parte do governo.Gostava de ver, pela primeira vez em 30 anos, as ditas lealdade, diligência e obediência da parte do Governo para com os Portugueses. Mas contínua e honestamente, não apenas pela proximidade de umas eleições. Mas talvez isso seja ainda mais utópico do que qualquer ideologia política.

Melhores cumprimentos.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A Bandeira Nacional e o "Football"





A poucos dias da grande competição este texto pode parecer provocação, contudo não é. Julgo que é a melhor altura para o mostrar, na medida em que é dos poucos momentos da vida do cidadão comum em que este dá o devido valor e uso àquele símbolo que desde 1911 representa este pequeno rectângulo junto ao Atlântico, mais as suas ilhas.
Na realidade, com o passar do tempo, a Bandeira Nacional juntamente com o Hino (A Portuguesa) tem estado presente nas mais variadas formas de expressão de emoção, orgulho nacional e afecto por aqueles que em todas as competições mundiais, europeias e nacionais nos regalam com os desempenhos desportivos. Falo, claro está, nas competições Europeias como seja a Liga dos Campeões ou no Campeonato Nacional onde, no início de cada sessão (excepto neste último) somos presenteados pelos nossos representantes com um “karaoke” debilmente articulado, onde exalam em plenos pulmões o expoente máximo do seu patriotismo.
Entristece-me ver o símbolo nacional pousado nas caixas registadoras das grandes superfícies à venda pela troca de uma moeda simbólica só porque se aproxima mais uma competição futebolística importante. Bem que tentei comprar uma num supermercado próximo na última comemoração nacional, mas não estava disponível. Entristece-me ver que se banalizou o seu significado e que se atribuiu o seu uso única e exclusivamente ao ópio do povo. É deprimente vê-la pendurada nos pára-choques dos automóveis ou tatuada numa barriguinha qualquer como se de um ícone pop-star se tratasse.
Mais interessante é saber que, muito provavelmente, a maioria dos orgulhosos do nosso país não faz ideia do significado das suas cores, o que esta representa nem a sua origem.
Portugal tem 1000 anos de história e é um crime que os seus símbolos sejam arrastados pela lama de um mero desporto que não dá nada a ninguém. Contudo, é o reflexo da mentalidade que temos. Que é feito do verdadeiro orgulho nacional? Que é feito dos homens que ergueram esta República? Onde estavam as bandeiras nas comemorações do 25de Abril passado? Pobres egrégios avós...
Desejava que cada um fossa à sua gaveta e retirasse a sua bandeira não só para expressar o seu afecto mais fervoroso para com a sua selecção, mas também para se lembrarem que somos mais que football. Vamos empurrar o país e não o autocarro. Nesta nação que se esconde da sua condição atrás de artifícios e jogatinas ainda não percebeu, que ao fim de 90 minutos, todos regressamos à nossa cada (vez mais) miserável condição social. É urgente sair desta liga dos últimos e levantar de novo o esplendor do povo português.

Até 10 de Junho...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Resposta à indignação do Sr. Presidente da República




A Sua Excelência,
O Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva


Na condição de “jovem” deste país não quero, de forma alguma, que continue imerso na sua indignação.
Provavelmente os meus interesses na actividade política do país, bem como os conhecimentos que tenho acerca desta, irão um pouco mais além da média nacional, tendo em conta a faixa etária. Contudo, não obstante as respostas doutas, transmitidas pela comunicação social no dia 25 de Abril, no que concerne ao Estado actual, bem como à História recente do nosso país posso, em nome dos jovens alheados e ignorantes do nosso cantinho, elucidar qual a origem do estado letárgico dos nossos efebos.
Apesar das taxas de insucesso, absentismo e analfabetismo nacional, o povo Português desenvolveu, ao longo do tempo, a capacidade interessante de se alhear e voltar costas aos assuntos que menos lhe interessa. Habituada a ser ignorada, mal tratada e até enxovalhada com epítetos como “geração rasca”, a “malta” na flor da idade vê aquela geração que supostamente deveria servir como modelo a seguir deturpar o que, na teoria, deveriam ser os verdadeiros valores da democracia, supostamente instaurada muito antes de alguns (como eu) sequer terem nascido.
Não se indigne Sr. Presidente, a nossa juventude não se encontra desligada nem alheada da vida política... Apenas tiveram a percepção de que, infelizmente, esta não ouve a sua voz.
Será que num governo que se atreve a ratificar tratados europeus sem os referendar, que constrói estádios, pontes, TGV`s com o erário público sem a anuência destes, um governo que impõe avaliações, fecha hospitais, maternidades e urgências sem consultar os seus eleitores, um governo que repreende, persegue professores nas escolas numa verdadeira ditadura dissimulada consegue interessar os jovens para a sua actividade política? Não me parece também.
Sr. Presidente, os jovens não estão alheados… Não. Estão apenas ocupados a tentar quebrar as leis matemáticas e esticar os seus míseros ordenados da “geração 500” para pagar um cubículo com duas assoalhadas e ainda assim tentar fazer com que sobre algum para comer. Talvez um dia Sr. Presidente, se estes jovens tiverem a possibilidade de seguir o exemplo dos seus políticos e conseguirem um trabalhito no hemiciclo (quanto mais não seja para depois auferir uma reforma jeitosa e remediada e quem sabe até, um posto numa qualquer empresa choruda para terminar a sua velhice) talvez a “malta” mais nova deixe de colocar rosas, perdão… cravos, no cano das suas espingardas e comece a lutar verdadeiramente por uma real democracia exclamando efusivamente…. “Porreiro pá!”

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Alguém compra esta ideia?



Para o dia 25 de Abril não houve qualquer cartaz a promover a comemoração, tal como não há nem haverá para o 40º aniversário do Maio de 68, para o 1º de Maio ou para o 10 de Junho, Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Contudo, ainda o Dia da Liberdade não tinha sido celebrado, havia já destes cartazes azuis estrelados espalhados pela cidade do Porto, reflexo bem claro da ideia que importa veicular ou mesmo vender. Já não se pensam nem celebram as causas e cousas nacionais, tudo em prol da ilusão de um federalismo com tiques de sofisticação e atitude de Confederação Helvética, também essa unida na diversidade.

Talvez a ideia pegue. Quanto mais não seja por a população nem sequer ser consultada… A questão é porquê, até quando e a que preço.

É importante referir que não somos conservadores de mentalidade fechada, antes pelo contrário. É óbvio que defendemos algum "proteccionismo", mas isso parece ser até uma questão de bom senso. Mesmo num universo franca e até levianamente economicista como o nosso há coisas que não podem ser negociáveis e, algumas delas, deveriam ser a soberania, a democracia e a dignidade das pessoas…

Uma Comunidade Europeia é útil para que se aproximem os povos que a constituem e se criem boas relações económicas, diplomáticas e, obviamente, culturais também. Além do mais, um país não se quer isolado, muito menos quando se trata de territórios de pequenas dimensões, como o nosso jardim à beira-mar plantado. Mas federalismo, que o Tratado de Lisboa já prevê a médio-longo prazo, mas sobre o qual não nos deixam decidir, implica já questões demasiado melindrosas… Além disso, sabe-se que o Poder e a Democracia são conceitos muito relativos e, nesta matéria, Portugal remete-nos para história de David e Golias, mas sem a lição bíblica. Sem federalismo efectivo, a União já faz imposições que os nossos governos muito leais, ultra diligentes e altamente obedientes cumprem cegamente, nem que isso implique remeter o português comum (80% da nossa sociedade?) para o limiar da dignidade; imagine-se como será posteriormente, depois dos primeiros cinco ou dez anos de estado de graça… Neste momento, temos 2 milhões de pobres no País, em parte devido ao que a União espera de nós, no que diz respeito aos objectivos económicos. Como será depois? Já assim é difícil fazermo-nos ouvir, quanto mais num cenário em que há um governo central, desprendido de questões patrióticas, que quer dinamizar a economia a qualquer custo… Que não restem dúvidas de que Portugal permanecerá periférico e, mais grave do que isso, será sempre e cada vez mais dos estados-membros mais dependentes e, consequentemente, mais submissos.

Para já, fica apenas esta reflexão.

À Liberdade.



25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Pobreza de cara lavada

Lá diz o ditado:
Querer dar um passo maior que a perna.

Na verdade, este provérbio nunca se aplicou tão bem. No governo do Sr. “Eng.º”(!?) Sócrates a política da obra feita é elevada ao seu expoente máximo em prejuízo do pobre contribuinte a quem é pedido que aperte só mais um furo.
Na realidade, nunca tiveram tanto trabalho os pobres sapateiros com tanto buraco nos cintos públicos.
Aeroportos e comboios de alta velocidade num país em que nem espaço terão para acelerar e demonstrar o propósito da sua existência.
Continua a política herdada de governos anteriores com promessas de investimentos com elevados índices de retorno. Expo 98 e estádios novos são, indubitavelmente, o exemplo cabal da personalidade portuguesa. Na verdade, o povo vive da aparência e afunda-se em créditos e empréstimos milionários só para impressionar o vizinho (que também já o fez).
Acordem meus senhores, vamos colocar um ponto final nesta vida de fachada e começar a trabalhar a sério para uma nação próspera e justa. Assim, certamente, morrerão menos crianças à porta de urgências jurássicas e abandonadas com silvado à entrada…
Vamos descer à nossa humilde condição e demonstrar ao mundo a massa de que somos feitos.
Quanto mais nos mexermos nestas areias movediças mais nos enterraremos.

Fidalguia sem dinheiro é gaita que não assobia

Felinos - 1; Portugueses - 0

A propósito da polémica do Carnaval no concelho de Vouzela onde os campónios malvados andavam a fazer mal aos gatinhos há uma ou duas coisas a dizer.
Qualquer mau trato infligido a criaturas normalmente indefesas apenas porque se tem poder para o fazer é absolutamente reprovável. Essas atitudes não passam de arrogância da espécie, porque nós próprios somos animais, e revelam muito pouca racionalidade. Agora, por favor, não sejamos ridículos. Quantos de vós nunca tinham ouvido falar de Vouzela... É uma vila do Distrito de Viseu com cerca de mil e quinhentos habitantes, perto de S. Pedro do Sul, que carece da atenção do nosso Estado (que pretende apenas abrir auto-estradas para grandes empresários e ascender na carreira política à moda do Durão Barroso, destemido cherne), tal como todo o Interior português. No município é uma sorte se metade dos habitantes estiver no período fértil ou souber ler e escrever. São pessoas com pouca instrução e com pouca mundividência que se levantam antes do sol nascer para trabalhar no campo e voltam para casa quando o sol já se pôs porque não há alternativas... Ninguém investe nessas terras, não há emprego e a população jovem foge para o Litoral, deixando-as envelhecer. Essas terras que, no final de contas, são as que vão conservando o pouco que resta da tradição genuinamente portuguesa. Ou julgam que o Portugal Profundo é o pseudo-sofisticado do litoral?
Iam aleijar um gatinho, Aqui del-Rei que há uma terra chamada Vouzela lá no recto do País onde há maus-tratos... Vouzela arranjou um bichano de pelúcia, já ninguém quer saber de Vouzela outra vez... Iliteracia, envelhecimento, mediocridade... isso não interessa a ninguém.
E já agora... pelo amor de Deus... Há 2.000.000 (dois milhões) de pessoas a viver no limiar ou abaixo do limiar da pobreza e ninguém se manifesta. O governo embarca num capitalismo selvagem e ninguém se manifesta. O governo põe em causa a soberania portuguesa e ninguém faz nada. A nacionalidade portuguesa está à beira da ruptura e ninguém se mexe. Ameaçam a vida de um gatinho e aí sim, já temos polémica?! Os do Interior são os campónios, mas podem crer que os saloios somos nós...


Haja bom senso porque não há maior pobreza do que a pobreza de espírito...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Princípio


Foto tirada de: www.8thfire.net/Day_48.html


Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.


Sophia de Mello Breyner